
A delicadeza e a fragilidade do sexo feminino, antes vistas como algumas das características que impediam o ingresso da mulher na área da segurança patrimonial – ambiente historicamente masculino -, ficaram no passado. A maioria das empresas ligadas ao setor passou a valorizar a contratação de mulheres. Atualmente, as mulheres ocupam cada vez mais postos operacionais, administrativos e de gestão, sendo valorizadas pela inteligência emocional e abordagem humanizada.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a participação feminina representa 15% do total de vigilantes em atividade no Brasil. Em 2025, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública informou que no país havia a presença de 643.608 trabalhadores da segurança patrimonial, sendo 548.417 homens e 95.191 mulheres.
Crescimento Profissional
Sandra Bianca Bittencourt Gonçalves, 47 anos, encontrou na área de segurança patrimonial uma oportunidade de crescimento profissional e estabilidade. Ela representa uma geração de mulheres que vem conquistando espaço em setores antes dominados majoritariamente por homens, mostrando que dedicação e qualificação podem abrir caminhos em qualquer profissão.
Ela ingressou na área em 2019 e, desde então, passou por diversas funções. Já atuou como atendente, porteira, porteira balanceira, vigilante e vigilante líder. Ao longo do caminho, adquiriu experiência em diferentes frentes da segurança patrimonial. Atualmente, exerce função de vigilante líder, ligada ao controle de acesso, recepção e atividades administrativas.
Sua experiência anterior é na área da logística, de livros e da alimentação. Na alimentação, onde ficou por nove anos, ela atuou como auxiliar, operadora de máquina e líder de setor. Nestas empresas, ela sempre atuou como brigadista e integrante da Comissão Interna de Prevenção de acidentes (CIPA).
A transição para a segurança privada trouxe desafios. Para Sandra, uma das maiores dificuldades no início foi a adaptação às novas funções e ao vocabulário específico da área. Com dedicação e capacitação, no entanto, ela conseguiu se adaptar e crescer profissionalmente. “A qualificação sempre fez parte da minha trajetória. Investi em cursos profissionalizantes, entre eles o curso de atendente, controlador de acesso, portaria, zeladoria. Posteriormente, fiz o curso de vigilante patrimonial e de reciclagem obrigatória da área”. Ela continua buscando novos conhecimentos e planeja realizar cursos de inspetor de segurança privada, inglês e legislação aplicada ao setor.
Sandra afirma que sempre contou com o apoio do marido, que também trabalha com segurança patrimonial. Ela ressaltou que desde que entrou na área, percebeu uma redução significativa na distinção entre os gêneros. “Acredito que ainda há espaço para avanços no mercado de trabalho para mulheres na segurança privada”.
A jornada de uma vigilante
Ana Isis de Souza Costa, 37 anos, adora vestir o uniforme e assumir sua rotina como vigilante patrimonial. Para ela, a profissão vai além de proteger prédios: exige estratégia, inteligência emocional e coragem para enfrentar preconceitos ainda presentes no setor.
Ana Isis começou na área como operadora de monitoramento, acompanhando rondas e registrando pontos de verificação. Com a modernização tecnológica, bastões eletrônicos foram substituídos por QR Codes, e ela participou ativamente da transição. Foi nesse período que surgiu a oportunidade de se tornar vigilante, função que sempre despertou seu interesse.
Ela assumiu um posto no Parque Cecap, tornando-se a terceira mulher em uma equipe formada apenas por homens. A presença feminina trouxe mudanças: revistas pessoais em funcionárias passaram a ser feitas apenas por mulheres. Após nove meses, foi transferida para o Shopping Internacional, onde conheceu novos protocolos e investiu em cursos de monitoramento e informática, aprimorando habilidades em planilhas e Excel.
“Hoje, ser vigilante exige mais do que força física. É preciso manter a calma em situações de tensão, agir com respeito e saber lidar com diferentes públicos”, explica Ana Isis. A profissão mudou: tecnologias digitais, sistemas de monitoramento e reconhecimento facial fazem parte do cotidiano, exigindo atualização constante.
Afastada do trabalho, devido a uma queda em casa, Ana Isis mantém o desejo de evoluir na carreira e se especializar em transporte de valores, atividade que exige formação adicional.
Responsabilidade da segurança armada
Zeni Moreira de Sá, 48 anos, trabalha há seis meses com segurança patrimonial armada, mas sua experiência na área de segurança já soma mais de 22 anos. Sua carreira começou no setor aeroportuário, onde atuou por cerca de nove anos. “Decidi trabalhar na segurança porque sempre gostei da área”, revela.
Hoje, atuando na segurança armada, ela destaca que a função exige maior responsabilidade e atenção. “O vigilante armado precisa proteger a si mesmo, à vida do próximo e ao patrimônio do cliente. É um trabalho mais vulnerável e perigoso”, explica.
Ao longo de sua carreira, Zeni observou um crescimento significativo da presença feminina na segurança. “Graças a Deus, o número de mulheres na segurança patrimonial está crescendo. Hoje, elas têm mais oportunidades e algumas empresas até preferem mulheres, justamente por cuidarem melhor do patrimônio, serem cuidadosas, pacientes e manterem maior estabilidade nas operações”.
Segundo ela, no dia a dia, não há diferença entre homens e mulheres nas funções. “Hoje, não há o que a mulher não possa fazer nesta área. Elas estão cada vez mais dominando funções antes ocupadas apenas por homens”, afirma.
Apesar dos avanços, desafios ainda existem: a presença feminina em escoltas de carro-forte e transporte de cargas é limitada, e nem sempre as mulheres são valorizadas durante abordagens. Além disso, oportunidades de promoção para cargos de supervisão e coordenação ainda são restritas.